DEBÊNTURES, CRI & CRA

A renda fixa "raiz" das empresas: taxas maiores, isenções e riscos que o CDB não tem.

DEBÊNTURES, CRI & CRA
Avançado 9 min de leitura

Depois de dominar Tesouro e CDBs, o investidor encontra a prateleira do crédito privado: títulos onde você empresta diretamente para empresas. As taxas são maiores, algumas isenções são tentadoras, mas aqui não existe FGC. Bem-vindo à renda fixa adulta.

Tesourorisco mínimoCDB / LCI / LCAgarantia do FGCDeb. / CRI / CRAsem FGC+ retorno, + risco
Subindo a escada do risco: mais retorno, menos rede de proteção.

O que é cada um

O que muda em relação ao CDB

CDB / LCI / LCADebênture / CRI / CRA
Quem deve a vocêUm bancoUma empresa / pacote de devedores
Garantia do FGCSim (até R$ 250 mil)Não existe
Se o emissor quebrarFGC pagaFila de credores da recuperação judicial
Taxas típicasMenoresMaiores (prêmio pelo risco)
LiquidezMédia/altaBaixa, secundário limitado

O cálculo que ninguém faz: rentabilidade líquida real

A isenção de IR parece uma vantagem óbvia, mas só vale a pena compará-la contra o CDB depois de igualar as duas pontas. Um CDB paga bruto e sofre desconto de IR na saída. Uma debênture incentivada ou um CRI pagam líquido, porque não há imposto nenhum. O erro comum é comparar a taxa anunciada de cada um sem fazer essa conversão.

Um exemplo com números redondos. Suponha R$ 30.000 aplicados por dois anos, comparando três opções de risco parecido (emissor sólido, rating alto):

AplicaçãoTaxa brutaIR (2 anos, alíquota 17,5%)Taxa líquida equivalente
CDB a CDI + 1,0%≈ 13,5% a.a.-17,5% sobre o rendimento≈ 11,1% a.a.
Debênture incentivada a IPCA + 7,0%≈ 11,5% a.a.isento≈ 11,5% a.a.
CRI de risco pulverizado a IPCA + 6,5%≈ 11,0% a.a.isento≈ 11,0% a.a.

Depois de dois anos, os R$ 30.000 renderiam aproximadamente R$ 7.400 líquidos no CDB, R$ 7.750 líquidos na debênture incentivada e R$ 7.350 líquidos no CRI. A diferença entre a melhor e a pior opção fica em torno de R$ 400, pouco mais de 1% do capital em dois anos inteiros. A isenção fiscal não é o prêmio gigante que o material de venda sugere: ela compensa parte do risco extra de não ter FGC, mas raramente compensa tudo sozinha. Se a taxa bruta da debênture ou do CRI estiver só ligeiramente acima do CDB, o retorno líquido real pode até ficar pior que o CDB, dependendo do prazo e da alíquota de IR regressiva aplicável.

A conta rápida para fazer antes de comprar: para prazos de até dois anos, a alíquota do CDB gira em torno de 17,5% a 20%. Um jeito simples de comparar é multiplicar a taxa bruta do CDB por (1 − alíquota) e comparar direto com a taxa isenta da debênture ou do CRI. Se a taxa isenta não superar esse número com folga, o prêmio de risco que você está aceitando ao abrir mão do FGC não está sendo bem pago.

Como avaliar o risco

  1. Rating: agências (S&P, Fitch, Moody's) classificam o crédito: AAA é o topo; abaixo de BBB- entra no terreno especulativo. Não é infalível, mas é o ponto de partida.
  2. O emissor: avalie como avaliaria a ação. Lucro consistente? Dívida controlada (Dív.Líq/EBITDA)? Setor estável? Os indicadores e a página do ativo ajudam quando a emissora é listada.
  3. Garantias e estrutura: CRIs/CRAs variam MUITO: alguns têm garantias reais robustas e devedores pulverizados; outros dependem de um único devedor frágil. O prospecto conta.
  4. Prêmio coerente: taxa muito acima dos pares de mesmo rating = mercado precificando um risco que você talvez não esteja vendo.

Regras de segurança do crédito privado: pulverize (muitos emissores, posição pequena em cada, porque a isenção não compensa um calote); case o vencimento com seu prazo (a liquidez baixa torna a saída antecipada cara); e considere o atalho da diversificação pronta: FIIs de papel e fundos de crédito entregam cestas de CRIs/debêntures com gestão profissional, sem você precisar analisar prospecto por prospecto.

Este artigo tem caráter educativo e não é recomendação de investimento. Regras e taxas podem mudar, então confirme as condições vigentes antes de investir. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.