Todo mundo que começa passa pelo mesmo aperto: cada texto sobre investimento assume que você já conhece o vocabulário. Este glossário resolve isso. São 61 termos essenciais, cada um em sua própria linha, com uma explicação direta e só daquele termo. Estão organizados por tema, e os que têm guia completo no site levam direto para ele. Salve nos favoritos e volte sempre que travar numa palavra.
O básico
9 TERMOS
- Aporte
- Cada depósito que você faz nos seus investimentos. Aportar todo mês é o hábito que mais pesa no resultado final, mais até do que acertar o momento de comprar.
- Liquidez
- A facilidade de transformar um investimento em dinheiro na conta sem perder valor. Alta liquidez significa sacar hoje ou amanhã. Veja o guia sobre liquidez nos investimentos.
- Volatilidade
- O tamanho das oscilações de preço de um ativo. Volatilidade alta é montanha-russa. Ela não mede se o investimento é bom ou ruim, mede só o quanto ele balança pelo caminho.
- Rentabilidade nominal
- O número que aparece no extrato, sem nenhum desconto. Se rendeu 10 por cento no ano, essa é a rentabilidade nominal.
- Rentabilidade real
- O que sobra da rentabilidade nominal depois de descontar a inflação. É a única que importa de verdade, porque é ela que diz se o seu dinheiro passou a comprar mais coisas ou menos. Exemplo: rentabilidade nominal de 12% ao ano com inflação de 4,5% no período dá uma rentabilidade real aproximada de 7,2% (a conta exata usa (1,12 ÷ 1,045) − 1, não uma subtração simples).
- Carteira
- O conjunto de todos os seus investimentos, também chamado de portfólio. Aprenda a montar a primeira.
- Perfil de investidor
- A classificação da sua tolerância a risco, geralmente em conservador, moderado ou arrojado. A corretora descobre isso num questionário obrigatório antes de você começar.
- Benchmark
- O índice usado como régua de comparação. Se o seu investimento em renda fixa rendeu menos que o CDI, ele perdeu do próprio benchmark.
- Diversificação
- Espalhar o dinheiro entre investimentos diferentes para que um problema isolado não derrube a carteira inteira. Detalhes no guia de diversificação.
Renda fixa
11 TERMOS
- Selic
- A taxa básica de juros da economia brasileira, definida a cada 45 dias pelo Copom. Ela é o ponto de partida de quase todo rendimento do país. Veja Selic e Copom.
- CDI
- A taxa dos empréstimos que os bancos fazem entre si, que anda praticamente colada na Selic. É a régua da renda fixa, por isso os produtos se anunciam como 100 por cento do CDI ou 110 por cento do CDI.
- Pós-fixado
- Título cujo rendimento acompanha um índice ao longo do tempo, como 105 por cento do CDI. Você conhece a regra na hora da compra, mas só descobre o valor exato no fim.
- Prefixado
- Título com taxa travada no momento da compra, por exemplo 11 por cento ao ano. Você já sabe quanto vai receber no vencimento, independentemente do que acontecer com os juros.
- Híbrido
- Título que combina inflação mais uma taxa fixa, como IPCA mais 6 por cento. Garante ganho acima da inflação, seja ela qual for. É o formato do Tesouro IPCA+.
- Emissor
- Quem pegou o seu dinheiro emprestado e tem a obrigação de devolver: o governo, um banco ou uma empresa. Em renda fixa, a qualidade do emissor é o risco principal.
- Vencimento
- A data em que o título acaba e o dinheiro volta com os juros combinados. Escolher vencimento compatível com o seu objetivo evita ter que sair no meio do caminho.
- Marcação a mercado
- A atualização diária do preço de um título antes do vencimento. É por isso que um prefixado pode aparecer no negativo mesmo rendendo direitinho: quem segura até o fim recebe o combinado.
- FGC
- O Fundo Garantidor de Créditos, que devolve até um limite por CPF e por instituição caso o banco emissor quebre. Cobre CDB, LCI, LCA, poupança e conta corrente, mas não cobre debênture nem fundo.
- Tabela regressiva
- A regra de imposto de renda que cai conforme o tempo de aplicação, começando em 22,5 por cento e chegando a 15 por cento depois de dois anos. Vale para a maior parte da renda fixa.
- Come-cotas
- A antecipação semestral de imposto que a Receita cobra em vários fundos, reduzindo o número de cotas que você tem. Entenda em fundos e come-cotas.
Ações e bolsa
21 TERMOS
- Ticker
- O código de negociação do ativo na bolsa, como PETR4 ou ITUB3. São quatro letras que identificam a empresa mais um número que indica o tipo de ação.
- Ação ON
- Ação ordinária, terminada em 3, que dá direito a voto nas assembleias da empresa. Veja as diferenças em ON, PN e Units.
- Ação PN
- Ação preferencial, terminada em 4, que normalmente não dá direito a voto mas tem preferência no recebimento de proventos.
- Unit
- Um pacote que junta ações ordinárias e preferenciais num único papel, terminado em 11. Você compra o conjunto de uma vez só.
- Lote-padrão
- O mercado principal, onde as ações são negociadas de 100 em 100. É onde acontece o maior volume e por isso os melhores preços.
- Fracionário
- O mercado onde dá para comprar de 1 a 99 ações, identificado pela letra F no fim do código. Serve para quem está começando com pouco dinheiro.
- Dividendo
- A parte do lucro que a empresa distribui aos acionistas em dinheiro. No Brasil, hoje é isento de imposto de renda na mão da pessoa física. Veja o guia de dividendos.
- JCP
- Juros sobre capital próprio, uma forma alternativa de a empresa distribuir lucro, com 15 por cento de imposto retido na fonte. Entenda o JCP.
- Proventos
- O nome guarda-chuva de tudo que a empresa distribui aos acionistas: dividendos, JCP, bonificações e direitos de subscrição.
- Data-com
- O último dia em que você precisa ter a ação na carteira para receber o provento anunciado. Quem compra até esse dia, recebe.
- Data-ex
- O primeiro dia em que a ação passa a ser negociada sem o direito ao provento. É normal a cotação abrir mais baixa nesse dia, porque o dinheiro do provento saiu da empresa.
- Dividend Yield
- O quanto a empresa pagou de proventos no ano dividido pelo preço da ação, em porcentagem. Um DY de 8 por cento significa 8 reais de provento para cada 100 reais investidos.
- P/L
- Preço dividido pelo lucro por ação. Em teoria, quantos anos de lucro atual seriam necessários para pagar o preço da ação. Detalhes nos indicadores fundamentalistas.
- P/VP
- Preço dividido pelo valor patrimonial por ação. Abaixo de 1 significa que o mercado paga menos do que o patrimônio contábil da empresa, o que pode ser oportunidade ou sinal de problema.
- ROE
- Retorno sobre o patrimônio líquido. Mostra quanto de lucro a empresa gera para cada real que os sócios colocaram nela. Quanto maior e mais constante ao longo dos anos, melhor.
- Valuation
- O exercício de estimar quanto um negócio realmente vale, independentemente do preço do dia. Veja como se estima o valor justo.
- Blue chip
- Ação de empresa gigante, muito negociada e conhecida por todo mundo. Costuma oscilar menos e ter liquidez alta todos os dias.
- Small cap
- Ação de empresa de porte pequeno na bolsa. Tem potencial de crescimento maior e também risco e oscilação bem maiores. Veja o guia de small caps.
- IPO
- A estreia de uma empresa na bolsa, quando ela vende ações ao público pela primeira vez. Entenda se vale a pena entrar.
- Tag along
- A proteção que garante ao acionista minoritário vender a ação junto quando o controlador vende o controle da empresa, recebendo um percentual do preço pago ao controlador.
- Free float
- A fatia das ações que circula livremente no mercado, fora das mãos dos controladores. Quanto maior o free float, mais líquida tende a ser a negociação.
Fundos imobiliários
7 TERMOS
- Cota
- Sua fração de um fundo. Comprar uma cota de FII é comprar um pedacinho de uma carteira de imóveis ou de títulos imobiliários.
- FII de tijolo
- Fundo que possui imóveis físicos de verdade, como shoppings, galpões logísticos, lajes corporativas ou hospitais, e vive do aluguel deles.
- FII de papel
- Fundo que não tem imóvel nenhum e sim títulos de dívida do setor imobiliário, principalmente CRIs. Vive dos juros desses títulos.
- Vacância
- A parcela dos imóveis do fundo que está sem inquilino. Vacância alta significa menos aluguel entrando e, normalmente, menos rendimento distribuído. Veja como analisar FIIs.
- Cap rate
- O aluguel anual dividido pelo valor do imóvel, em porcentagem. É a medida de quanto aquele imóvel rende por ano em relação ao que custa.
- CRI
- Certificado de Recebíveis Imobiliários, um título de dívida lastreado em pagamentos do setor imobiliário. É isento de imposto para pessoa física, mas não tem cobertura do FGC. Veja CRI e CRA.
- CRA
- Certificado de Recebíveis do Agronegócio, o primo do CRI voltado ao agro. Mesma lógica: isenção de imposto para pessoa física e nenhuma garantia do FGC.
Operacional e estratégia
13 TERMOS
- Home broker
- A plataforma da corretora onde você envia as ordens de compra e venda. É a sua porta de entrada na B3.
- Ordem a mercado
- Ordem que executa imediatamente pelo melhor preço disponível naquele instante. Rápida, mas você não controla o preço exato da execução.
- Ordem limitada
- Ordem que só executa no preço que você definiu ou em um melhor. Você controla o preço, mas corre o risco de a ordem não ser executada.
- Custódia
- O registro dos seus ativos no seu CPF, guardado na B3 e não na corretora. Se a corretora quebrar, os ativos continuam sendo seus.
- D+2
- O prazo de liquidação das operações com ações no Brasil. Você vende hoje e o dinheiro fica disponível para saque dois dias úteis depois.
- Buy and hold
- A estratégia de comprar bons ativos e segurar por muitos anos, ignorando o ruído do curto prazo. Compare com o oposto em day trade e buy and hold.
- Preço médio
- A média ponderada do que você pagou por um ativo somando todas as compras. Aportar aos poucos suaviza esse preço. Veja preço médio e aportes.
- Rebalanceamento
- Ajustar periodicamente a carteira de volta aos percentuais que você definiu, vendendo o que subiu demais e reforçando o que ficou para trás. Entenda o rebalanceamento.
- Stop loss
- Ordem automática programada para vender caso o preço caia até um determinado nível, limitando a perda daquela operação.
- Alavancagem
- Operar com dinheiro emprestado ou com instrumentos que multiplicam a exposição. Multiplica o ganho e multiplica a perda na mesma proporção, por isso é o caminho mais curto para zerar a conta.
- Bull market
- Fase prolongada de alta do mercado, com otimismo generalizado. O touro ataca de baixo para cima, daí o nome.
- Bear market
- Fase prolongada de queda, normalmente contada a partir de 20 por cento de recuo. O urso ataca de cima para baixo. Veja os ciclos de mercado.
- Circuit breaker
- A parada automática de todo o pregão quando o índice cai além de um limite no mesmo dia. Serve para esfriar o pânico e dar tempo de todo mundo respirar.
Como usar este glossário: não tente decorar. Deixe esta página aberta enquanto navega pelas páginas de Ações e FIIs e volte aqui toda vez que travar numa palavra. Cada termo em dourado leva ao guia completo daquele assunto. Em poucas semanas de uso, o vocabulário do mercado deixa de ser barreira.